Saturday, April 28, 2012

Sobre planetas e caixas de músicas - aventuras do sol de uma bailarina

Um astronauta está perdido em uma caixa de fósforos
Ele vê a bailarina dançando e fica a fita-la
Aproxima-se dela e mostra as estrelas
Ela se encanta com o sabor das estrelas
E o traz para sua caixa de músicas
E lá eles se põem a dançar
E ele conhece todos os passos
O astronauta deixa a caixa de músicas para mais uma de suas aventuras
E a bailarina volta a dançar sozinha
E então, o astronauta sempre que voltava de suas aventuras
Encontrava a bailarina em sua caixa de músicas
E dançavam, dançavam, dançavam...
Até que um dia, o astronauta adormeceu
A bailarina não queria acorda-lo e ficou observando
Ela se perguntava, como aquele astronauta, que veio de tão distante, assim como quem não quer nada, poderia ter descompassado toda a sua dança
E seu mundo virou de cabeça para baixo
A bailarina só conseguia pensar no astronauta
Desaprendeu a dançar
Só sabia dançar com ele, por ele
Mas o astronauta, por ficar tanto tempo longe em suas aventuras, tinha plutão em seu coração
Suas aventuras muitas vezes o tiravam do rumo
A caixa de músicas da bailarina ficava cada vez mais distante das missões do astronauta
O sol no coração da bailarina ardia como tardes de verão, fazendo com que ela perdesse o ritmo
O astronauta de longe chamava pela bailarina, mas o vento parou de soprar, ela perdeu sua voz e ele desistiu de chamar
O sol ardia cada vez mais no coração da bailarina e secava suas lágrimas antes que chegassem a cair
A bailarina lembrava do seu astronauta adormecido em sua caixa de música
E entendeu que era a única imagem que teria na lembrança, por tanto quanto pudesse guardar
O astronauta havia se perdido no espaço
E quando o sol aquietou a ardência no coração da bailarina, a dor tomou conta e esgotou todas as forças de seu corpo
Eis que surge uma mensagem distante do astronauta, contando que havia perdido o rumo dos ventos que levavam mensagens
Buscou entre buracos negros e meteoros, até finalmente encontrar novamente os ventos que levavam os recados a ela
A bailarina contou que havia perdido as forças e não conseguia dançar
Mas aquela mensagem trazida pelos ventos deu forças à bailarina, que voltou a acreditar
Entretanto o astronauta vivia muitas aventuras e não conseguia chegar à bailarina
Os ventos voltaram a levar mensagens
A bailarina chamou o astronauta para o elixir dos sonhos desconexos
O astronauta, sempre aventureiro, chegou tarde demais
A bailarina não perdia suas esperanças
O astronauta mais uma vez partia de sua vida para outra missão
A bailarina seguia a fingir que a dança continuava e brincava com as outras dançarinas, inebriada no elixir de sonhos desconexos
E para não pensar no astronauta, dançou com um soldado de chumbo, levando-o a dançar em sua caixa de músicas
A bailarina contudo entendeu que aquela dança só fazia sentido com o astronauta
E mais uma vez o sol ardia seu coração
A bailarina então convidou seu astronauta para encontrar poetas no pic-nic em uma tarde de outono
O astronauta foi ao seu encontro e contou sobre seu planeta, suas aventuras e até de seus medos
A bailarina ficava encantada a cada palavra, tanto que mal conseguia falar ou pensar, apenas sorria em ver seu astronauta depois de tanto tempo, mesmo que tão breve
Era como um sonho, embora fosse tão real, mesmo sem dançarem juntos, mesmo sem o sabor das estrelas, a lua brilhava nos olhos da bailarina
Dessa vez quem partiu em aventuras foi a bailarina
O astronauta mandou mensagem pelos ventos e, no meio de sua aventura, a bailarina se pôs a rodopiar de alegria
Ao voltar a sua caixa de músicas, a bailarina pediu aos ventos que levasse um recado, mas o astronauta não respondeu
Lá foi a bailarina, toda em descompasso, recorrer ao elixir dos sonhos desconexos
E dançava sem dançar, cercada de fantasmas perdidos na escuridão
Sem esperanças ela voltou a sua caixa de músicas e gritou aos ventos em desespero, que precisava e queria mais que nunca dançar com o astronauta
Ela tinha medo que ele estivesse a dançar com outras bailarinas em seu planeta e a tivesse esquecido, pois ele parecia não ouvir
A bailarina adormeceu esperando e despertou com o vento em seu ouvido trazendo mensagens do astronauta
Ele contava que o elixir de sonhos desconexos havia sugado todas as suas energias e que precisou voltar ao seu planeta para reabastecer e pediu que ela não mais se desesperasse assim
Será que o plutão no coração do astronauta começava a sentir um pouco do sol da bailarina?
Ela preferiu guardar suas mensagens
A bailarina agora esperava o vento trazer o convite do astronauta

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