Saturday, June 23, 2012

O que resta do último toque

Difícil apagar da memória
seu olhar
seu sorriso
seu toque
o gosto e o cheiro que não me fazem esquecer
Parece que nunca vai acabar essa saudade, a sua ausência
os dias passam, as semanas correm
e ainda sem sinal de você
fiquei esquecida
mais uma noite perdida
em sua busca
sem sucesso
te ver me satisfaria
ouvir sua voz
me acalmaria
ter você
sonho distante
todas aquelas noites perdidas são hoje apenas lembrança
ainda sinto você em mim
nem é preciso fechar os olhos
e se fecho é como se estivesse aqui, ao meu lado
a espera é em vão
porque já passei por sua vida
e isso já basta
enquanto em mim permaneces
nem toda força que dedico é suficiente
para eu conquistar o que se foi como areia escorrendo pelas mãos
essa foi nossa história
sem registro
só o que resta de você em mim

Friday, June 22, 2012

Mensagens do Passado

"Caminhamos ao encontro do amor e do desejo. Não buscamos lições, nem a amarga filosofia que se exige da grandeza. Além do sol, dos beijos e dos perfumes selvagens, tudo o mais nos parece fútil. Quando a mim, não procuro estar sozinho nesse lugar. Muitas vezes estive aqui com aqueles que amava, e discernia em seus traços o claro sorriso que neles tomava a face do amor. Deixo a outros a ordem e a medida. Domina-me por completo a grande libertinagem da natureza e do mar"

Albert Camus



"If you want a red rose, said the Tree, ' you must build it out of music by moonlight, and stain it with your own heart's blood. You must sing to me with your breast against a thorn. All night long you must sing to me, and the thorn must pierce your heart, and your life-blood must flow into my veins, and become mine."

Oscar Wilde

Catavento e Girassol


Meu catavento tem dentro o que há do lado de fora do teu girassol
Entre o escancaro e o contido, eu te pedi sustenido e você riu bemol
Você só pensa no espaço, eu exigi duração
Eu sou um gato de subúrbio, você é litorânea
Quando eu respeito os sinais vejo você de patins vindo na contramão
Mas quando ataco de macho, você se faz de capacho e não quer confusão
Nenhum dos dois se entrega, nós não ouvimos conselho
Eu sou você que se vai no sumidouro do espelho
Eu sou do Engenho de Dentro e você vive no vento do Arpoador
Eu tenho um jeito arredio e você é expansiva, o inseto e a flor
Um torce pra Mia Farrow, o outro é Woody Allen
Quando assovio uma seresta você dança havaiana
Eu vou de tênis e jeans, encontro você demais, scarpin, soiré
Quando o pau quebra na esquina, cê ataca de fina e me ofende em inglês
É fuck you, bate bronha e ninguém mete o bedelho
Você sou eu que me vou no sumidouro do espelho
A paz é feita num motel de alma lavada e passada
Pra descobrir logo depois que não serviu pra nada
Nos dias de carnaval aumentam os desenganos
Você vai pra Parati e eu pro Cacique de Ramos
Meu catavento tem dentro o vento escancarado do Arpoador
Teu girassol tem de fora o escondido do Engenho de Dentro da flor
Eu sinto muita saudade, você é contemporânea
Eu penso em tudo quanto faço, você é tão espontânea
Sei que um depende do outro só pra ser diferente, pra se completar
Sei que um se afasta do outro, no sufoco, somente pra se aproximar
Cê tem um jeito verde de ser e eu sou meio vermelho
Mas os dois juntos se vão no sumidouro do espelho
(Leila Pinheiro)

Uma bailarina sem um astronauta

O astronauta se foi de vez da vida da bailarina
Ela pensa nele a todo momento e o sol continua a arder em seu coração como chama que não cessa
O mesmo sol que foi incapaz de atingir plutão e que teima em não se por
A bailarina se pergunta por onde anda o astronauta, que nem em encontros inesperados eles se cruzam mais
O destino é sábio
Ela conversa com um jovem poeta sábio sobre as angústias do sentir
Ele conta que o silêncio é uma agressão ao interior e a bailarina sabe bem o que significa
O poeta conta também que sentimentos as vezes fazem as pessoas criarem barreiras, por proteção, mas isso ela não consegue entender, pois acredita que se há sentimentos correspondidos deve haver aproximação e troca
Não se pode perder a oportunidade de amar
Mas o astronauta partiu para sempre
A bailarina só quer saber quanto tempo mais ele permanecerá nela, pois já não aguenta mais sentir
A saudade doi

Thursday, June 14, 2012

madrugadas em vao

para quem me entrego?
Com quem vou brincar de prazeres?
Sinto na pele a cada segundo que preciso de voce
e o coracao segue o que a pele clama
mas nao somos nada alem de estranhos
perdidos na noite
em busca de entrega
que nao signifiquem nada
a nao ser o momento
preciso segurar a dor
encarar teu silencio
ate que cedas ao desejo
e enfim possa novamente me entregar para voce
mesmo que por mais uma vez
nao tens ideia de quanto faz falta
nao tenho ideia se faco falta em voce
desejo que sim
espero que seja inesperadamente
e procuro te encontrar no meio da multidao
nao sei se representas um todo
ou se é realmente voce
dentro de mim
e voce que permanece
no meio da confusao
e voce que eu quero

A dor inebriada

O silencio é um vazio que doi
A solidao no meio da multidao
É o vazio que deixaste em mim
So me pergunto se ao menos lembra
Quem um dia fui
E com certeza signifiquei algo
Mesmo que desejo
Porque para mim
Sua ausencia significa a desesperança de um sonho
Sinto na pele uma alma cortada
Pedacos de uma espera de nunca ter encontrado
Eu te completaria
Voce preencheria a minha dor
Um vazio sem escape
Que nem sei se é voce
Mas que agora em mim
Clama sua presenca
Meu corpo arde a sua falta
Rasteja em espinhos
Para se permanecer em silencio
Palavras desconexas que executam a tentação de manter o silencio por dignidade
Quando na verdade queria gritar ao mundo e aos sete ventos
Que minha vontade de voce é maior que qualquer orgulho ferido
Mas as regras nos ensinam o inverso
E preciso
Como uma gueixa
Segurar o que sinto em mim
Sem te dizer que é a sua falta
Pois perderia o valor
De qualquer sentimento valido
Seria apenas rastejante
E ignorada
Pois os caminhos sao inversos
Enquanto isso espero
Na esperanca de que voce enxergara
Que so queria a liberdade de estar ao seu lado
Preciso esquecer-te
Afinal nao permeio seus pensamentos
Mesmo assim te quero

Wednesday, June 13, 2012

Saudades sem fim de uma bailarina

A bailarina anda presa à saudade do astronauta que aflige seus pensamentos e seu coração
Ela gostaria de saber se ele também pensa nela ou se sente saudades
O astronauta parece cada dia mais distante de sua caixa de músicas
Nem mesmo os encontros inesperados que a pegavam de surpresa vêm acontecendo
Ela sente falta da espera pelo encontro que era sempre mágico
Afinal o encontro de um astronauta e uma bailarina só poderia acontecer no mundo da magia
E como magica desapareceu
Como ela sente saudades
E queria poder falar com ele
Contar a falta que ele faz
Mesmo que nunca tenha sido presenca constante em sua vida
A bailarina queria que fosse um conto de fadas com final feliz e tudo
Entretanto foram apenas contos dispersos sobre mais um romance que nao chegou a existir
O astronauta sentou perto demais, quando deveria ter permanecido distante
Entao ele cativou a bailarina, que estava vestida de raposa, avida por ser cativada
Quando numa noite ele surgiu em sua vida
Ela era so mais uma entre milhoes
Mas ele nao
Para a bailarina ele era o astronauta
E sempre será
Nao havera outro
Surgirao soldados de chumbo de todas as sortes
Mas o astronauta sera sempre para ela unico
Saudades sem fim de poder esperar ansiosa o encontro, que nao mais ira existir

Tuesday, June 12, 2012

a bailarina era na verdade uma raposa

“Então você está confusa com seus sentimentos. Ele apareceu tão de repente na sua vida, com aquele brilho manso no olhar, com aquela meiguice na voz, sem pedir coisa alguma, meio como um Pequeno Príncipe caído de um asteróide. A princípio você nada percebeu de diferente. O susto veio quando você se lembrou das palavras da raposa, explicando ao Pequeno Príncipe o que era ficar cativo: É assim. A princípio você senta lá e eu aqui. Depois a gente vai ficando cada vez mais perto. Os passos de todos os homens me fazem entrar dentro da minha toca. Mas os seus passos me fazem sair…”
(antoine de saint-exupery)

Sunday, June 10, 2012

Sobre noites inebriadas e a falta do astronauta

A bailarina vestiu sua armadura e foi inebriar-se em sonhos desconexos com outras bailarinas
No meio da noite ela só pensava e queria o astronauta
E dessa vez é para valer
Não há mais dança na caixa de músicas ou em qualquer outro lugar
A bailarina sentiu o sol arder tão forte que secou suas lágrimas
A ideia de não ter mais o astronauta, só entrou de verdade na mente da bailarina nesta noite, na qual eles poderiam se encontrar, se nada disso tivesse acontecido e a bailarina não teria aberto o seu coração
Parecia que, lá no fundo, a bailarina ainda esperava que nada havia mudado, mas tudo mudou, degringolou o rumo da história
A bailarina só entendeu no dia, que passou sem sinais do astronauta
...como doeu
Inebriada com o elixir dos sonhos desconexos, tendo com a sua irmã conversas do coração, acompanhadas de néctar do sol nascente, a bailarina ouviu uma canção que a fez lembrar ainda mais - até porque todas as canções ouvidas lembravam o astronauta
A bailarina só não queria ter esquecido a última noite e isso a faz doer ainda mais, afinal deveria ser guardada na memória enquanto durasse dentro dela
Entretanto, da última noite não há lembrança
Ela tentou evitar e não resistiu, pediu aos ventos que entregassem um trecho da canção que dizia:
I feel too close to be losin' touch
By givin' in
What am I giving up
Am I losing way too much
A bailarina só recebeu o silêncio
Silêncio esse que a fez entender ainda mais que é o fim
O astronauta e a bailarina não passam de dois estranhos, cada um com sua vida, seguindo seus próprios rumos, como se nunca tivessem se conhecido
Na memória da bailarina, o adeus nunca aconteceu

Saturday, June 09, 2012

Here in my arms

Isn't it ironic
Don't you think
Como te quero
E devo
Enjoy the silence

Thursday, June 07, 2012

Sobre uma noite de chuva na caixa de músicas

O astronauta não estaria ao lado da bailarina de qualquer maneira
Em um dia como este, ela estaria à espera do fim de semana para encontra-lo em uma madrugada inebriada
Mas os sonhos ficaram desconexos permanentemente
E na chuva e no frio a bailarina é só melancolia
Saudades do astronauta
De um sonho que não viveu
O silêncio é a companhia de seu coração, que arde e sofre e não aguenta pensar que foi o fim
Mas o astronauta quer ser livre e a imagem desse momento não foge da memória
Uma das poucas lembranças da bailarina
De uma noite que nunca existiu
Astronauta, onde quer que esteja, não se esqueça de mim
vou te levar comigo enquanto for possível
Depois será lembrança, mais uma história guardada no passado

Monday, June 04, 2012

Sobre o coração partido de uma ex-bailarina

Então foi assim que terminou a história
Com a realidade desse lado de cá do espelho
O astronauta partiu o coração da bailarina em mil pedaços, quando nada disso era necessário
Sem sequer pensar nos sentimentos da bailarina, como quem queria passar uma mensagem, o astronauta depois de dançar com a bailarina
Beijou uma cigana na frente dela
A bailarina sem rumo fugiu para sua caixa de músicas
Ele foi ao encontro dela, que contou a ele tudo o que o seu coração sentia, só para afirmar que o sol nunca atingiu plutão e que o astronauta não queria ser só dela
Ah como doeu
E assim mesmo a bailarina o convidou para a última dança
E ironias da vida, a bailarina não lembra dessa noite, nem de ver o astronauta partir
Agora o sol arde, a bailarina não tem mais nenhuma esperança a se agarrar e o astronauta é só lembrança que machuca
Ela não quer mais sentir
E desacreditou no amor
Afinal, como duas pessoas com tanto em comum, tantos risos, tanto prazer, podem andar caminhos separados
Mas ele é um astronauta e vive suas aventuras e missões, não quer se prender a terra, com os pés no chão como a bailarina
Parece que ela sentia o que estava por vir, apesar de ainda ter esperanças
Era um jogo perigoso, alguém iria sair machucado
E claro foi a frágil bailarina que se perdeu ao ver estrelas com um lindo astronauta
Ele contou que tinha um presente para ela e um dia entregaria
Ela não o quer mais em madrugadas inebriadas por sonhos desconexos
E essa noite que passou e marcou o fim foi assim, todos inconsequentes inebriados em elixires dos sonhos desconexos
Ah como a bailarina ainda deseja e sonha, sonho de menina naive, que seu astronauta sinta tanto a sua falta que volte para os seus braços
Mas ela sabe que são sonhos e a realidade é outra e doi
Doi muito
Ela sabe que perdeu o que nunca teve
E desacreditou no amor
E tem medo de sofrer mais e mais decepções
Mas ela acabou de descobrir que assim é a vida
E ela precisa seguir em frente e aceitar
O astronauta nunca foi dela e nunca será
Adeus querido astronauta
Dessa vez para sempre
Como eu queria que fosse diferente
Meu coração doi tanto
Só gostaria de aprender a te esquecer tão rápido como me apaixonei por você
A memoria apagou o momento do que o sol não quer esquecer e não quer deixar morrer
A bailarina tem medo de não encontrar outro astronauta em sua vida
Nada é igual
Nada é para sempre
Essa história não merecia morrer assim

Friday, June 01, 2012

A caixa de músicas é L'Apollonide

Mon cher astronaute,
Acho que agora entendo o que sou para você
Apenas uma garota do L'Apollonide
Com quem você se distrai e depois vai embora sem precisar olhar para trás
Eu me comporto como tal e aceito, sem cobranças
Mas quando abro meu coração você desaparece
Foge como se pudesse evitar o inevitável, o que existe em mim e que seu silêncio não evitará
Doi
E como
Mas sei que vai passar
Se assim permanecer
Como imagino
Após tudo o que entreguei
Como se você fosse se importar
Meu coração se abriu e contou o que sentia
Mas você não quer saber
Eu sou apenas esquecimento, prazer efêmero, fuga, solução simples para noites sem sucesso
Desculpe-me se fiz entender errado
Não sou uma menina do L'Apollonide, apenas uma bailarina que sonha com o amor de um astronauta
A cada dia mais distante
Sua ausência é presença a cada momento
Seu plutão é imune ao meu sol
Sol esse que arde até em noites frias
Que não sossega a paixão
Mas assim é a vida
Os sonhos são desconexos
Talvez, do outro lado do espelho,
Aqui, onde você é um astronauta
Talvez, só assim, pelas minhas palavras, meu sol aqueceria seu plutão
E eu teria seu amor delicadamente

Inebriada no elixir dos sonhos desconexos

E a cada minuto desconexa a bailarina pensa no astronauta, ainda bem que ela perdeu o rumo dos ventos que levavam mensagens ao astronauta e que nada vai ser como antes