Sunday, June 10, 2012

Sobre noites inebriadas e a falta do astronauta

A bailarina vestiu sua armadura e foi inebriar-se em sonhos desconexos com outras bailarinas
No meio da noite ela só pensava e queria o astronauta
E dessa vez é para valer
Não há mais dança na caixa de músicas ou em qualquer outro lugar
A bailarina sentiu o sol arder tão forte que secou suas lágrimas
A ideia de não ter mais o astronauta, só entrou de verdade na mente da bailarina nesta noite, na qual eles poderiam se encontrar, se nada disso tivesse acontecido e a bailarina não teria aberto o seu coração
Parecia que, lá no fundo, a bailarina ainda esperava que nada havia mudado, mas tudo mudou, degringolou o rumo da história
A bailarina só entendeu no dia, que passou sem sinais do astronauta
...como doeu
Inebriada com o elixir dos sonhos desconexos, tendo com a sua irmã conversas do coração, acompanhadas de néctar do sol nascente, a bailarina ouviu uma canção que a fez lembrar ainda mais - até porque todas as canções ouvidas lembravam o astronauta
A bailarina só não queria ter esquecido a última noite e isso a faz doer ainda mais, afinal deveria ser guardada na memória enquanto durasse dentro dela
Entretanto, da última noite não há lembrança
Ela tentou evitar e não resistiu, pediu aos ventos que entregassem um trecho da canção que dizia:
I feel too close to be losin' touch
By givin' in
What am I giving up
Am I losing way too much
A bailarina só recebeu o silêncio
Silêncio esse que a fez entender ainda mais que é o fim
O astronauta e a bailarina não passam de dois estranhos, cada um com sua vida, seguindo seus próprios rumos, como se nunca tivessem se conhecido
Na memória da bailarina, o adeus nunca aconteceu

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