Thursday, March 08, 2012

Potpourri

Nuvem preta desse céu
Guarda minha oração
E o tempo pára
Nada muda de lugar
Nessa outra dimensão
A incerteza acaba
Choverão estrelas enfim
Estrelas de ti sobre mim
Gira o mundo devagar
Sabe bem sua razão
Gira sobre o nada
Fecho os olhos pra rezar
Brilha a cruz na escuridão
Da tarde que se apaga
Choverão estrelas, enfim...
Não te quero ter, pois em meu ser tudo estaria terminado...
Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados...
Para que eu possa levar uma gota de orvalho nesta terra amaldiçoada...
Que ficou em minha carne como uma nódoa do passado...
Eu deixarei...
Tu irás e encostarás tua face em outra face...
Teus dedos enlaçarão outros dedos e tu desabrocharás para a madrugada...
Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu...
Porque eu fui o grande íntimo da noite...
Porque eu encostei minha face na face da noite e ouvi a tua fala amorosa...
Porque os meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos no espaço...
E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado...
E eu ficarei só como os veleiros nos portos silenciosos...
Mas eu te possuirei mais que ninguém, porque poderei partir...
E todas as lamentações do mar, do vento, do céu, das aves,
das estrelas,serão a tua voz presente, tua voz ausente,
a tua voz serenizada.
(paralamas/VM)

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