Monday, May 13, 2013

Sobre Planetas e Caixas de Músicas: a hora do adeus

E então, a bailarina teve a coragem de enfrentar o que vinha sendo evitado, embora fosse inevitável...a hora do Adeus
Uma bailarina em sua caixa de músicas e um astronauta em seu planeta, dois corpos tão distantes, como que em galáxias diferentes, se uniram num magnetismo tão intenso, apesar de breve, quase tornando-se um.
Não há salvação para a distância que amaldiçoa essa história.
Astronautas sempre vem e vão, partem em missões, vivem em planetas, às vezes não tão distantes...
Mas o astronauta vivia há anos luz
E não há amor tão breve que resista ao tempo e ao espaço
Nem mesmo na esperança do reencontro poderia fazer sobreviver aqueles dias inesquecíveis
A bailarina ainda lembra o olhar, profundo como se mergulhasse na alma, os lábios que se mexiam ao ritmo da canção de adeus
Ela lembra o carinho, o cheiro, o toque...a paz que o astronauta a trazia, como um presente
Mas essa paz tornou-se inquietação, angústia pela espera, pelo depois
A paz deu lugar à saudade, já essa naturalmente tira a paz de qualquer ser humano, até mesmo de bailarinas e astronautas
O tempo se encarregou do resto, de plantar a descrença, alimentar a impaciência e aniquilar a esperança
O tempo é o algoz, e o espaço o mandante deste crime
As vitímas são dois corações distantes, desacreditados de tantas outras danças e tantas outras coreografias
Um astronauta que encantou uma bailarina como que em um piscar de olhos...nem ela acreditou que seria possível
Nem ele acreditou que seria verdade
Portanto, o astronauta fez promessas que não pode cumprir.
No dia do adeus ele prometeu esperar e não esquecer e não desistir.
Ele não sabia que no meio do caminho entre a caixa de músicas e seu planeta existiam o algoz e o mandante, o tempo e o espaço, e que o desafio não era tão fácil como parecia
A bailarina entendia e se dispos a enfrentar tudo isso, abriu seu coração, entendeu que deveria ter paciência,  encheu-se das mais fantasiosas esperanças e dançou com suas pontas nas nuvens, deixou-se flutuar e seus dedos não tocavam mais o chão.
Ela também sabia que a queda seria grande, afinal dançar nas nuvens, sem asas para voar, nem mesmo suas asas a levariam tão longe, como esses sonhos a fizeram dançar
As asas da bailarina só conseguiam ajudar após a queda, para levantá-la do chão, eram asas terrestres, que a mantinham na gravidade, para que ela não saísse a voar com qualquer sonho breve e distante que a acometesse.
E levou-se então a bailarina a dançar nas nuvens, carregadas de sonhos, sonhos impossíveis, que alimentavam esperanças vencidas.
Mas suas asas a traziam ao chão cada vez mais, em uma incasável batalha contra as nuvens de sonhos
A bailarina sabia que a razão morava nas asas, que a puxavam de volta ao chão
Mas que seu coração queria sonhar, para não perder o amor, queria acreditar ser possível,
Então no impasse entre a dança nas nuvens de sonhos e tocar suas pontas no chão,
A Bailarina pediu aos ventos que levassem uma mensagem ao astronauta
Astronauta esse que já há algum tempo se distanciava ainda mais da bailarina
E ela sentia em cada mensagem dos ventos,
que a brisa suave que os ventos traziam, transformaram-se em um leve vento seco e frio
Pulou de suas nuvens de sonho
e enviou pelos ventos um pedido de adeus
Como o próprio astronauta contou, "não era fácil ser feliz pelos ventos", ele tentava, mas nem sempre conseguia
A bailarina, que muito entendia do sentir dos outros, pois além de uma dançarina, tinha como hobbie observar o comportamento das pessoas
E no pouco tempo em que estiveram juntos, a bailarina sabia que não era da natureza do astronauta alimentar algo tão irreal...ele estava pronto para as aventuras, mas aquelas reais, ele não sabia sonhar
E a bailarina era apenas isso, só mais uma aventura, uma conquista...
Não era fácil viver assim, a bailarina em sua caixa de músicas numa espera sem fim
O astronauta em seu planeta desistindo a cada dia...não havia para onde escapar
E então decidiram partir, desistiram do reencontro, que os fariam sofrer ainda mais
a bailarina desistiu de tentar mudar o rumo da história, o astronauta ja estava distante demais para se fazer sentir o amor que ela enviava pelos ventos
Eram duas vidas completamente diferentes, dizia o astronauta....de que adianta acreditar
A bailarina acredita que no amor tudo é possível, mas se fez desacreditar também, pois sabia que não conseguiria fazer seu astronauta enxegar através de seus olhos
o reencontro tão esperado, tonou-se no entanto uma remota possibilidade para um novo adeus
Afinal, a história desse astronauta com a bailarina foi construída em despedida
Ela ainda espera ansiosamente pelo reencontro, mesmo depois de toda realidade enviada pelos ventos
A bailarina sempre acredita em chances, em segundas chances...acima de tudo, ela acredita no amor,  naquela paz que ela sentiu um dia, em que, no meio dos passos de dança, um astronauta tocou sua mão e a levou a dançar a coreografia mais perfeita de sua vida.

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