É a epidemia do não-amor sendo sentida por todas as partes...como acreditar o contrário, se tudo acaba na superficialidade! Não entendo do que as pessoas têm medo, sério! O amor está acabando...
"Nenhuma carta de amor na minha caixa de correio. Existem milhares de pessoas do outro lado, nesse canal ao vivo. Ainda escrevo para mim mesmo. E muito. E displicente. E ridículo algumas vezes. Não me importa. Viver vence o registro. Escrevo como uma forma de afeto, na minha relação de co-dependência com a raça humana. Interessa-me o eco, os pares, e as transformações. Alguém que vem me encher o saco, mal sabe, mas me dá afeto. Eu sou muito enrolado. Já queria ter saído do Rio. Mas preciso vender uma lente antes. Fali.
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Eu acredito que amor é um atributo. Um atributo eterno e transitório, a seu modo. Eu amo você, amo Mozart, amo a cor amarela, amo círculos de fumaça, amo outras mulheres... Certas coisas são inextinguíveis, pela solidão inerente à própria existência. Nesse momento, eu mal escrevo para você. Você está aí, mas eu escrevo para alguma projeção do meu desejo. Desejo de história, apreço ao roteiro da minha vida, imagens que eu construí, memórias afetivas... Isso tudo é inextinguível."
(Pedro Rios Leão)
"Pedro, Pedro...
Se vc soubesse... Vc nao escreve pra vc mesmo... Muitas pessoas sim lêem, só que a vida nesses tempos modernos as emudeceram... Esses dias insanos que nos fazem esquecer de como conectar
a nao ser a internet.
Ah Pedro, talvez você nao receba uma carta de amor todos os dias,
mas eu tenho certeza que, vivendo no Rio,
é impossivel perder essa sintonia.
Tente fechar os olhos e deixar as coisas ao s redor
preencher o que estiver vazio
Eu vivo num lugar sem vida.
Aqui, o coracao das pessoas foi robotizado
e já nao há mais conhecimento registrado
de quando o amor foi visto pela ultima vez.
Hoje é sabado, sento sozinha em casa,
e a solidao é escolha minha,
é minha testemunha
de que nao partilho mais dessa insana destruicao.
Lá fora as pessoas dancam, falam alto, contam, riem.
Pode se ver de tudo, mas nao há amor, nao vem do coracao
Há inseguranca, há inveja, há necessidade de auto-afirmacao.
Muita arrogancia e uma estranha tendencia a manipulacao.
Tudo isso regado a enorme doses e alcool
ou coisa qualquer que as facam esquecer do quao
amargas e insastisfeitas na verdade elas estao.
O amor foi morto pelas regras,
pelas normas, pela etiqueta.
Foi sufocado pelos padroes,
pelo sistema, pelos patroes,
pela midia e todos os famosos chavoes.
Agonizou no escuro durante um longo inverno sem sol.
E é em vao sair daqui pra gritar toda e qualquer sinceridade,
arrancar do peito e gritar o amor como quem comete uma insanidade
em busca de alguma empatica reacao.
Eles tem medo. Eles desconhecem.
A empatia é uma palavra que se fizeram inexistente a mais tempo que se parece,
a perderam dentro de um dicionario na estante
junto de outros tantos livros que de tao empueirados, apodrecem.
Aqui já nao se vê a gratidao.
Ou demonstracao alegria,
nao há vestigios de qualquer espotaneidade,
muito menos entao da humildade
mesmo ainda que se procure pelo minimo,
como aquele singelo brilho dos olhos que é tao nitido,
naqueles que nasceram com os pés fincados no chao.
Aqueles que sabem o preco,
Aqueles que pagam o ingresso,
aqueles que constroem o sucesso
desses daqui que jamais entenderao
como é q pode nossa gente viver assim contente
vendo por aí tanta crianca carente
passando perrengue, familia doente,
tendo um governo que de tao corrupto
chega a ser indescente
ainda sim nao vacila nem por um segundo
ao estampar no rosto
um lindo e aberto sorriso
puro, bruto,
escandecente.
O amor, Pedro,
está no ar,
Está no mar,
gravita no horizonte da bahia de guanabara.
O amor tambem cresce no morro
o amor tambem socorre o outro na hora do sufoco
e por estar sempre tao misturado no meio do nosso povo,
que se a gente nao para e repara, ele passa batido...."
(MaryJane Doe Guarani-Kaiowá)
O mundo anda tão apressado, impaciente, ansioso, impostor, onde ciclos dilacerados ao meio, fagulhas de fatias e nada mais é inteiro. Sinto fome do todo, da gradatividade, de matar saudade em detalhes, desvendar esmiuçando descobertas, de sonhar acordada, escalar etapas... e não pulá-las. Preencher devagar, completar... sem criar tantos vácuos e cair em lacunas.
(Camila Rosenbrock)
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